A TELENOVELA” RIO” ILUSTRA A ANGOLA DA MAIORIA DOS ANGOLANOS

By: Redacção

Autoria do Artigo: Jundala A grandiosidade de qualquer obra de arte reside na sua capacidade de representar o maior número de temáticas, bem como a maior multiplicidade humana de maneira harmoniosa. Trazendo essa perspectiva para a realidade das telenovelas “made in Angola, é possível notar que a telenovela ‘O Rio’ não está deslocada. Ou melhor, ela deixa ao alcance dos olhos sinais que lhe tornam digna de ser chamada a novela mais angolana e por essa via ser também considerada uma grande obra de arte. Era recorrente nas novelas produzidas no passado assistir-se ao retrato de uma Angola que não saía do contexto luandense, em que os actores eram sempre os mesmos. Inclusive algumas das tais, pareciam exibir o dia-a-dia dos angolanos na diáspora, dada à sumptuosidade dos cenários, roupas acessórios e similares, assim como ao extremo afastamento da Angola da maior parte dos angolanos. Dava-se a impressão que Angola era somente Luanda e que só uma dezenas de actores tinha habilidades para trazer para as telas a realidade através interpretação. ‘O Rio’ transpôs as fronteiras de Luanda, transportando em suas as águas um elenco mais inclusivo. Actores cujos os rostos nunca se observaram nos ecrãs tiveram algum lugar ao sol; aqueles que já há alguns anos estiveram distante das câmaras reapareceram; para aqueles apenas conhecido pelo público amante do teatro foi reservado espaço onde o intenso esforço vocal não é requerido e as grafes são escondidas; sem citar actores cujas faces dispensam apresentações. Enfim, actores de várias idades, épocas, anónimos, esquecidos, adaptados e reconhecidos configuram uma naipe no qual cada angolano tem como se sentir representado. Tal representação cresce, tendo em atenção à escolha do local em que a extensa metade da trama desenrola-se, se existir a sensibilidade em aceitar que a guerra e os seus efeitos permanecem na vida de todos os mwangolés; que todo angolano que se preze busca ou reconhece em si elementos oriundos da cultura do maior grupo etno-linguístico de Angola e que, final e principalmente, qualquer angolano precisa de notas cujo nome provem de um rio que nasce nessa tira de terra: província do Bíe. Mas a angolanidade da novela não pára por aí. Para além de 98% da equipa técnica ser composta por angolanos, a cultura angolana ganhou um importante veículo de promoção. Serve para justificar essa sentença o facto da trilha sonora ser constituída, quase totalmente, por músicas da Angola profunda. Constata-se, desta feita, que houve um trabalho cuidadoso de pesquisa multidisciplinar guiado por um denso espírito de nação.’O Rio’ é uma novela baseada numa história verdadeira ocorrida algures em África. Já foi produzida na República Sul Africana, em 2018, onde foi tida como umas das telenovelas mais assistidas, onde igualmente arrecadou inúmeros prémios. A partir dessa produção, procurou-se ajustar à realidade angolana e a qualidade do resultado pode ser conferida no canal Kwenda Magic. Trata-se de um canal através do qual a DSTv pretendeu incrementar o número dos seus subscritores e foi feliz. Ela foi muito feliz em apostar na produção nacional.

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